Oposição venezuelana volta às ruas para protestar contra por Maduro e é reprimida pelas tropas de choque

Manifestantes tentaram marchar até o centro da capital Caracas.

A oposição venezuelana tentou marchar nesta segunda-feira (8) até o centro de Caracas para informar o governo sobre sua recusa em participar da Assembleia Constituinte convocada pelo presidente Nicolás Maduro. Mas a manifestação foi reprimida pelas tropas de choque, que voltou a usar bombas de gás lacrimogêneo.

Jovens manifestantes encapuzados responderam com pedras e explosivos às forças de segurança, em confrontos registrados em várias regiões do leste de Caracas, enquanto também foram reportados enfrentamentos nos estados de Mérida, Lara e Zulia (oeste). Várias pessoas ficaram feridas.

Sob o lema “O povo diz não à ditadura”, a coalizão Mesa da Unidade Democrática (MUD) convocou seus seguidores para expor a decisão ao ministro da Educação, Elías Jaua, que dirige a comissão presidencial que impulsiona a Constituinte, informa o G1.

Por sua vez, o governo pediu que a oposição reflita sobre sua decisão. “Fazemos um chamado à MUD, pela paz em nosso país, que reflita (…) O caminho é o diálogo, a criminalização do diálogo é o desconhecimento de uma parte e isso é barbárie’, declarou Elías Jaua.

Ele ressaltou ainda que “as portas estão abertas (…) para que todas as organizações políticas venham escutar as razões” para a convocação da Assembleia Constituinte.

Nas ruas, os grupos de oposição se reuniam em setores do leste da capital para a passeata. Desde o início dos protestos, em 1º de abril, não conseguiram chegar ao centro de Caracas, dispersados a cada vez pelas forças de segurança. A recente onda de protestos deixou 36 mortos em quase 40 dias.

Em razão da marcha, 31 estações de metrô permaneceram fechadas.

“Continuar nas ruas é a única maneira de sair desta forca de comunistas, porque queremos viver em democracia. A Constituinte é uma farsa, estão fugindo das eleições para permanecer no poder”, declarou à AFP Jorge González, um arquiteto de 63 anos, na Plaza Altamira (leste).

Na Venezuela estão pendentes as eleições de governadores, que deveriam ter sido realizadas em 2016, de prefeitos de 2017 e presidenciais de 2018.

Julio Borges, presidente da Assembleia Nacional, único poder do Estado controlado pela oposição, reiterou o chamado para que as pessoas sigam nas ruas “frente à fraude constitucional”.

Colapso econômico

Mais de 70% dos venezuelanos, segundo pesquisas privadas, rejeitam a gestão Maduro, num contexto de colapso econômico que tem gerado uma grave escassez de alimentos e medicamentos, e a maior inflação do mundo, que chegaria a 720% em 2017, segundo o FMI.

Em resposta, o governo convocou seus partidários a marchar em “defesa da Constituinte”, com a qual, assegura, reforçará a Constituição de 1999 liderada pelo falecido presidente Hugo Chávez (1999-2013).

“Estamos defendendo a Constituinte para aprofundar a revolução de Hugo Chávez”, disse o jovem Alejandro Seguías, ao afirmar que Maduro reforçará a Carta Magna impulsionada pelo falecido presidente socialista (1999-2013).

08/05/2017

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