Destino do jornalismo impresso: Fim do jornal ou início para os jornais populares?

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Com o avanço da informática e da internet, os jornais impressos estão, cada vez mais, perdendo leitores. Este fenômeno tem tido como causa direta o surgimento de novas formas de se informar, principalmente digitais, como as versões online dos próprios jornais impressos, cujo conteúdo da edição de papel é ampliado, aumentando o espaço para análise e também permitindo a constante atualização das consequências dos fatos; a popularização dos blogs; o surgimento de redes sociais, que permitem o acesso à informação dentro de pequenos ciclos sociais; e, recentemente, o fenômeno do Twitter, que, inclusive, tem sido fonte de apoio para os próprios jornalistas.

Este quadro trouxe para o mercado a necessidade de novas estratégias para que as grandes empresas de comunicação continuassem explorando o campo do jornalismo impresso diário. Uma delas é o surgimento de jornais de distribuição gratuita. A outra é o surgimento de novos jornais populares voltados para classes sociais cujo acesso ao mundo virtual ainda é pouco ou escasso.

Em menos de dez anos, surgiram no país mais de cinco novos títulos de jornais populares, principalmente na região sudeste do país. Entre eles, estão o Super Notícia e o Aqui, publicados em Belo Horizonte desde 2002 e 2005, respectivamente. No Distrito Federal surgiu o Aqui DF em 2006. São Paulo recebeu no início de 2010 o jornal Mais informação por menos. E no Rio de Janeiro, surgiram em 2005 o Meia Hora de Notícias, e em 2006 o Expresso da Informação. Esses jornais populares, no entanto, possuem grandes diferenças em relação a outros jornais mais tradicionais e também considerados como populares, como O Dia e Extra, no Rio de Janeiro, Diário de São Paulo e Agora São Paulo, em São Paulo. A primeira diferença desse novo gênero é o formato, em geral, tabloide, o que facilita a leitura. Além disso, os mais recentes custam por volta de R$0,50 enquanto os mais antigos variam, em média, entre R$1 e R$1,50. Outra diferença é o público-alvo dos populares mais recentes, que varia entre as classes C e D, enquanto os mais antigos são, normalmente, voltados para as classes B e C.

A tendência nacional do surgimento dos novos jornais populares possui suas razões de ser. Primeiramente, é importante ressaltar que vivemos em uma sociedade “multi midiática” e do espetáculo, onde a informação se tornou uma necessidade vital, pois ela é inerente ao nosso convívio com os demais. Além disso, possuímos um sujeito, uma sociedade com excesso de informações, com uma revalorização do local dentro do contexto da globalização e com uma cultura da verdade e do saber. Nesse contexto, o surgimento desses novos jornais se coloca como uma alternativa para as camadas mais populares da população.

Reportagem: Alexandra Fernandes, Eldira Joaquim  e Jill Muricy.

Revisão: Nathália Côrtes  e Patrícia Souza

Edição e Publicação: Kênya Mendonça

Texto: Débora Basílio